Escolha uma Página

Até a década de 50 as camisetas ainda eram consideradas roupas de baixo e utilizadas por verdureiros, jornaleiros, fazendeiros, mineradores, mecânicos e etc… mas isso muda quando o Cinema Americano entra em ação com o seu poder de influenciar as massas, quem não pegou a primeira parte dessa história clique aqui e leia o post que fiz contando tudo sobre isso.

A camiseta sempre esteve atrelada a ideia de liberdade, no ano de 1934 Coco Chanel apareceu usando uma camiseta de marinheiro e uma calça jeans, aos olhos das pessoas daquela época era algo inadequado para alguém como ela (uma grande estilista e influenciadora da época) usar uma roupa assim, foi um choque cultural que, à moda do próprio espírito contestador, ajudou a divulgar ainda mais esse simples pedaço de pano.


Anos 60

Agora vamos continuar a nossa jornada entrando nos anos 60, onde os jovens potencializaram e botaram pra fora  toda a rebeldia comprimida nas décadas anteriores. Lembre-se que foi uma década agitada, marcada pela Guerra do Vietnã e diversos protestos pacifistas contra ela, os assassinatos de Marthin Luter King, Jonh F. Kennedy, o Rock’n Roll em ascenção, os Hippies e uma década finalizada com um dos mais emblemáticos festivais de todos os tempos, o Festival de Woodstock. Todos esses conflitos e eventos que ansiavam por liberdade transformaram a moda de alguma forma. O comportamento mudou completamente, da metade da década pra frente, as camisetas já não eram mais usadas apenas por homens, mas também por mulheres, assim como o cabelo comprido também não era mais uma exclusividade feminina. As drogas e os experimentalismos tomaram conta dessa época.


Toda essa efervescência encontrou na camiseta uma forma de se expressar. Não só a vestindo, mas com frases que se estampavam no peito, tornando a camiseta também um meio de comunicação para a massa. Algo que caia como uma luva para a galera Hippie, os jovens da época, pela sua simplicidade. 

Anos  70

“tudo o que uma garota de 20 anos precisa é de uma t-shirt e um par de jeans”
Yves Saint Laurent

Na linha do tempo das camisetas, a década de 70 é marcada pelas grandes Empresas que descobriram nessa simples peça de roupa um grande meio de se comunicar com o público, passando a estampar nomes, logos e slogans.


 

O potencial reconhecido nas camisetas por essas marcas foi proporcional a uma espécie de resistência ao mercado que surgia na época, justamente por ser uma mão de obra simples e um produto barato, tudo o que não era interessante para a grande mídia, o que não necessariamente era enxergado como lucro, ganhava voz dentro da contracultura e as camisetas eram uma espécie de ferramenta, um caminho para isso. Um bom exemplo são as sátiras aos próprios produtos da indústria americana que usavam a camiseta para se promover, como trocadilhos com marcas de refrigerantes, fotos de Che Guevara, ou mesmo o movimento punk, movimento que não tinha voz na mídia e encontrou nas camisetas um meio de se promover.

 

Em Berlin (Alemanha) há o museu dos Ramones, onde fica exposto diversas camisetas da banda, eu já fui fazer uma visita e achei realmente divertido.

Nessa época os fãs pela primeira vez podiam levar a sua banda preferida estampada em uma camiseta, como o dirigível do Led Zepplin, imagens icônicas como os famosos lábios da banda de Rock Rolling Stones, ou o prisma com detalhes coloridos do Pink Floyd. Ou seja, todos usavam as camisetas como forma de promoção, algo que não mudou até hoje. Veja uma de nossas camisetas dos Beatles ou de David Bowie clicando aqui.

rolling_stones_tee

Sobre a década de 70 é basicamente isso o que merece destaque, mas consegui um material interessante, mostrando alguns anúncios dos anos 70 e 80. Dá pra perceber que ali já começava a se vender camisetas de Star Wars (o filme era novidade na época e foi uma franquia que sempre focou muito na venda de produtos), Marvel (os heróis já eram bem populares) ou de séries de Tv. Ou seja, essa sempre foi uma boa fatia do mercado.

 

1970s Tshirt 71970s Tshirt 101970s Tshirt 291970s Tshirt 37

veja a nossa versão de Darth Vader ou de algum outro personagem favorito clicando aqui.

Acredito que tudo o que rolou nos anos 70 com as grandes marcas serviu de porta de entrada para o que começou a acontecer nas décadas seguintes. Quem começou a ditar as regras do mercado nos anos 80, após a moda hippie entrar em decadência, começou a ser a molecada rica e consumista, que se preocupava em ostentar o dinheiro que tinham ou fingiam ter. E foi aí que as marcas de roupas começaram a estampar no peito os seus nomes. Assim,  a camiseta passa a ter uma importância bem maior nos guarda-roupas.

guess

No universo undergroud elas continuavam a ter extrema importância, mas o caráter contestador ia se diluindo aos poucos junto com a falta de idealismo. Ao mesmo tempo, a cultura surf e skate do Sul da Califórnia estava subindo. Marcas como Billabong e Quiksilver ganhavam destaque com um negócio impulsionado por camisetas. Os anos 80 também foram marcados pela MTV no Universo Pop, um canal com grande apelo visual, que expandia e popularizava ainda mais a cultura musical e seus diversos estilos, do Rock ao Hip Hop, com isso o fã ansiava por um pedaço de seus artistas prediletos.

Nos anos 90 os jovens passam a usar roupas mais largadas e o movimento grunge ganha força, fazendo com que o mercado responda rapidamente a essa demanda, tornando esse movimento também uma moda. Aqui não posso deixar de falar do movimento Clubber, que trazia e pedia por toda uma tecnologia nas roupas, variando o tipo de tecido e botando um colorido diferente.

Com o advento da internet, as marcas se globalizam cada vez mais rapidamente, vivemos uma era da customização, uma forma de escapar da massificação que a grande indústria nos impõem, o que não quer dizer que a Indústria não percebeu essa fatia do mercado, grandes marcas lutam para trazer camisetas que parecem únicas e nichos são disputados por pequenos fabricantes. Hoje o mundo muda rapidamente e qualquer linha do tempo dividida em décadas, criada nesse milênio perde o sentido. Mesmo com o avanço da tecnologia, as camisetas mantém a sua presença no guarda-roupas da maioria (pra não dizer na de todo mundo), fazendo com que a arte gráfica hoje ganhe importância nas estampas.

O momento é de atuarmos no coletivo, acredito que esse espírito está se expandindo nos últimos anos e cada vez mais as pessoas se ajudam para crescer como indivíduo. Seja em pequenos nichos ou não, a onda agora é se ajudar, e que isso aconteça vestindo uma bela camiseta, feita por você ou pra você, de forma socialmente responsável e com uma mensagem que tenha a sua cara!

Se gostou do post deixa um comentário aí e não esquece de dar uma passada na loja online pra ver as novidades 🙂

Compartilhe:

Ulisses Amorim
Co-fundador da marca Oh Sheep! É Gerente de Conteúdo, escritor e um dos ilustradores da Empresa. Quando não está exercendo essas funções, gosta de trabalhar atuando nos Teatros de São Paulo, nas horas vagas está em alguma sala de cinema ou qualquer outro bar no centro de São Paulo.